Com Quantos Adjetivos se Descreve uma Atividade Matemática?

Leonardo Barichello, Rita Santos Guimarães

Resumo


Tomando como ponto de partida o fato de que atividades matemáticas são descritas em livros didáticos, documentos oficiais e artigos acadêmicos por uma gama variada de adjetivos e que não há consenso acerca do significado destes, este artigo tem o objetivo de analisar como professores de matemática descrevem atividades para a sala de aula. Trata-se da replicação de uma pesquisa conduzida com professores de matemática britânicos. Nossos dados foram coletados via questionário eletrônico, no qual professores avaliaram o quão bem 88 adjetivos e expressões descreviam uma atividade matemática escolhida por eles. Esses dados foram analisados por meio de uma análise fatorial exploratória que identificou sete fatores independentes subjacentes aos dados. São eles: Efetividade, Rotina, Exigência, Abstração, Contextualização, Inovação e Interação. Além de uma discussão sobre cada um dos fatores, também são discutidas as semelhanças e diferenças em relação aos resultados obtidos na pesquisa britânica. Espera-se que este resultado ajude a informar o diálogo entre as várias partes envolvidas no ensino de matemática. Além disso, também se discute a relação identificada entre a expressão “resolução de problemas” e o fator Contextualização. Contrariando o que é sugerido em documentos oficiais, nossa análise indica que os professores de matemática no Brasil associam “resolução de problemas” com questões relacionadas a contextos reais e aplicados em detrimento de contextos matemáticos abstratos. Independentemente do motivo por trás dessa associação, este resultado aponta para a necessidade de melhora da comunicação entre políticas públicas e professores de matemática.

Palavras-chave: Atividades Matemáticas. Adjetivos. Análise Fatorial. Resolução de Problemas. Contextualização.

Abstract
Considering that mathematical tasks are described in textbooks, official documents and academic articles using a huge variety of adjectives and that there is no consensus around their meanings, this paper analyses how mathematics teachers describe such tasks. In order to do so, we replicated a study conducted with British mathematics teachers. The data was collected through online questionnaires in which teachers graded in a Likert scale how well 88 adjectives and expressions were fit as a description of a mathematical task chosen by them. The data were analysed using exploratory factor analysis and we identified seven independent factors, namely: Efetividade, Rotina, Exigência, Abstração, Contextualização, Inovação and Interação. Besides a discussion of each factor, we also discuss the similarities and differences between ours and the British results. It is expected that this result can inform the dialogue in the field of mathematics teaching and learning. Furthermore, we discuss in this paper a relationship between the expression problem-solving and the factor Contextualization. Differently to what is suggested in official documents, our analysis indicate that Brazilian mathematics teachers are associating problem solving with contextualized, applied, real life questions to a larger extent than with abstract, mathematical contexts. Aside the reasons behind this association, this result points to the need of improving the communication between policy makers and mathematics teachers.

Keywords: Mathematical Tasks. Adjectives. Factor Analysis. Problem-Solving. Context-Based.


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DOI: http://dx.doi.org/10.17921/2176-5634.2017v10n3p186-197

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